Os casamentos

Na minha juventude os casamentos era muito diferentes do que são hoje.

A noiva não ia de branco.

Os convidados do noivo iam para casa dele e os convidados da noiva iam para casa dela.

Os convidados levavam as bestas bem arreadas com albardas e mantas de luxo.

Para os noivos havia a melhor alimária.

O noivo, com os seus convidados, ia buscar a noiva a casa dela. Aí havia uma cerimónia para conseguir que o pai lha deixasse levar.
Por fim ia o séquito; noivos à frente montados nas suas mulas, tocador a seguir e por fim os convidados.

Os noivos entravam juntos na igreja.

Após o casamento havia festa no arraial, os padrinhos distribuiam bolos de casamento e atiravam amêndoas e confeitos ao ar para quem apanhasse. Os garotos corriam, espanhavam-se no chão, comiam e enchiam os bolsos.

No regresso separavam-se os noivos e cada um ia para a casa dos seus pais, acompanhado dos respectivos convidados, para a boda.

Entre outras coisa, comia-se o “verde” (prato de fígado de carneiro e sopas de pão) e também a caldeirada de carneiro, que era uma delícia.

Acabado o jantar lá ia o noivo buscar a noiva para casa dos dois, mas era uma luta para ele a conseguir trazer.

Faziam-lhe partidas e escondiam-na, mas por fim lá iam os noivos para sua casa onde encontravam mais partidas.

Aí o noivo entregava à noiva a chave da casa e dizia: “Aqui te entrego esta chave mulher, para me abrires a porta sempre a qualquer hora que eu vier!”

No dia seguinte a festa continuava, mas aí a noiva já ia para casa dos pais do noivo.

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