Naquele tempo as pessoas não guardavam as suas poupanças no banco.
Quando sabiam da aproximação de algum conflito abriam um buraco na parede e metiam os seus valores, ouro e moedas, numa panela de barro ou de ferro. Fechavam o buraco marcando-o com um sinal para mais tarde virem buscá-lo.
Como muitos morriam, os cofres lá ficavam.
Foi assim que eu cheguei a presenciar buracos em paredes de casas velhas, com o formato de panelas.
Dizia-me a minha mãe que as pessoas sonhavam onde estava o tesouro ou passavam e viam o sinal e na calada da noite vinham abrir o buraco e tirar o tesouro.
Na parede de casa da minha tia Florência havia um desses buracos.
Também me contavam que num determinado sítio do caminho que passava perto da capela da Sr.ª das Virtudes, quando os cavaleiros passavam lá de noite nas suas mulas, sentiam tilintar debaixo das ferraduras. Diziam que era o som dum tesouro ali escondido.
Diziam também que detrás da capela estavam escondidas duas talhas, uma com ouro e uma com veneno. Como não estavam assinaladas ninguém as podia ir buscar, porque se se enganasse e abrisse a talha do veneno morria.
Publicado por Júlia