Os funerais são por norma lugares de recolhimento, mas os funerais da aldeia têm um sentido diferente. As pessoas acorrem a assistir à despedida daquele ou daquela, pai ou familiar dos seus amigos.
Alguns vêm de longe por esse motivo, não podem faltar, é um dever.
Então dá-se praticamente um momento de reencontros. Relembrar factos passados, ver pessoas que não se via há anos e que noutro lugar não era possível encontrar, há abraços, beijos de carinho, e o que devia ser um motivo de tristeza é muitas vezes de alegria.
Fui a um funeral à minha terra, foi assim para mim, vi pessoas que não via há anos. Não chorei, não só porque sabia que a pessoa a enterrar tinha sofrido muito em vida, e acabava assim de se libertar do sofrimento, como também nunca choro nos funerais.
Morrer é a lei da vida. Tenho fé e acredito que a seguir a esta há outra, onde não há dor nem sofrimento. Espero que assim seja!
«Quem não morre de novo, de velho não escapa».
Publicado por Júlia