Os funerais são por norma lugares de recolhimento, mas os funerais da aldeia têm um sentido diferente. As pessoas acorrem a assistir à despedida daquele ou daquela, pai ou familiar dos seus amigos.
Alguns vêm de longe por esse motivo, não podem faltar, é um dever.
Então dá-se praticamente um momento de reencontros. Relembrar factos passados, ver pessoas que não se via há anos e que noutro lugar não era possível encontrar, há abraços, beijos de carinho, e o que devia ser um motivo de tristeza é muitas vezes de alegria.
Fui a um funeral à minha terra, foi assim para mim, vi pessoas que não via há anos. Não chorei, não só porque sabia que a pessoa a enterrar tinha sofrido muito em vida, e acabava assim de se libertar do sofrimento, como também nunca choro nos funerais.
Morrer é a lei da vida. Tenho fé e acredito que a seguir a esta há outra, onde não há dor nem sofrimento. Espero que assim seja!
«Quem não morre de novo, de velho não escapa».
Dezembro 1, 2007 ás 5:32 pm
Que engraçado, ontem também escrevi um post sobre funerais. A ver aqui:
http://miguellomelino.blogspot.com/2007/11/enterrar-com-humanidade.html
Dezembro 5, 2007 ás 3:21 pm
Os funerais em Portugal já são diferentes. Raramente há choros ou gritos.
Na igreja há cantos bonitos de louvor a Deus e esperança na vida eterna. Há comportamentos respeitosos e carinhosos para com os familiares do defunto, mas não deixa de haver cumprimentos de regozijo ao encontrar pessoas que não se viam há muito tempo.
Também em Portugal, há muitos anos, quando os cadáveres eram transportados às costas após o funeral as pessoas entravam na taberna, comiam e bebiam à custa da família do falecido.
Dezembro 20, 2007 ás 1:27 pm
Querida Tia Júlia,
Infelizmente há pouco tempo, tive que assistir a um funeral, um dos piores da minha vida, pois tratou-se do funeral do meu pai. Sendo o meu pai de origens africanas, mais propriamente de Cabo Verde, existem alguns rituais que se cumprem que são típicos de Cabo Verde, ainda que estejamos na Europa.
Assim, dias antes do funeral foi necessário organizar a equipa da comida, familiares e amigas da minha mãe que se ofereceram para fazer a comida (típica de Cabo Verde), e ir ao supermercado comprar bebidas de todos os géneros e feitios. O que passou a parecer que a casa da minha mãe parecia uma mercearia improvisada!!
Chegado ao dia do funeral, tudo estava pronto, por isso após o funeral todos (ou quase todos) se dirigiram para casa dos meus pais, para comerem e beberem. A casa estava cheia, muitas pessoas que não se viam há muito tempo reencontraram-se. Inclusívé alguns, já não me viam desde os 6 anos. Enfim, os funerais apesar de toda a dor e sofrimento sempre presente, também servem para o convívio, para o reencontro e para matar as saudades de familiares e amigos que não se vêm há muito.
Eu sei que o meu pai ficou feliz de ver a casa cheia. Ele gostava de estar em festa, com os amigos e a familia.